A SEMANA DA JUSTIÇA
Haja visto o fundamental tributo ao sonhado reconhecimento aos vultos obscurecidos misteriosamente em todos os processos das formações históricas de nossa Sociedade, a Semana Teixeira e Sousa de Literatura nos tem levado ano após ano, a recorrentes reflexões a respeito da visibilização do nosso mais ilustre representante na História da Literatura Brasileira: O Cabo-friense Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa, O primeiro romancista brasileiro. "Homem inteligente, honrado e dedicado, que não teve limitados espinhos na sua peregrinação de meio século." (Tal como o descreve Felix. "Revista da Quinzena" em 31 de janeiro de 1862 em A Mocidade. Rio de Janeiro: Tipografia Popular.) O prosador Teixeira e Sousa, desconhecido para maioria de nós, nos remete naturalmente quando cientes de sua trajetória, a situações que causam espanto até nos que estudam os efeitos do preconceito histórico do qual o negro fora vítima no Brasil. De antigamente até os dias de hoje. Mesmo ocupando posição privilegiada diante da esmagadora maioria dos remanescentes da escravidão no Brasil no século XIX, Teixeira e Souza não escapou da maledicência humana mesmo após sua morte. Devido os extremismos que os ciúmes enraizados na intolerância racial, leia-se racismo, levaram alguns de seus 'colegas' a manifestarem-se através de várias publicações questionáveis. Ou seja, não é incomum encontrar registros de respeitáveis autores das décadas mais recentes, enfáticos no desmerecimento e desqualificação de sua obra. No Brasil, ou melhor, na Cabo Frio de hoje, tal evento, constante em nosso calendário anual e alicerçado religiosamente todos os anos pelo Movimento Negro, pela Academia Cabofriense de Letras e pela Secretaria Municipal de Cultura. Poderia chamar-se "Semana da Justiça", já que dá sustentáculo a visibilização de pelo menos um entre tantos outros nobres homens e mulheres negros e negras que tanto contribuíram não pro Brasil que vemos na novela das oito, no BBB8, 10 ou 123, mas para o Brasil que vemos quando nos olhamos no espelho. O meu Brasil, o seu, o do Teixeira e Souza, do Betinho, do cartola, o da Chica da Silva, do Pixinguinha, do Gonçalves Dias, do Chico Buarque, da Clara Nunes, do Budega, do Clarêncio...
Sexta-feira, 28 de Março de 2008.
Vinícius Canisso.
Jornalista/Apresentador do Programa Encontro Cultural
da Cabo Frio TV e artista local.
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